Sinais de Balizamento

No post anterior, falamos sobre o Balizamento. Hoje, vamos falar de: as Sinais de Balizamento…

Vamos lá…

A seguir apresentamos além da definição dos sinais de balizamento, as características que permitem sua identificação nos períodos diurno (cor, formato da bóia ou baliza e forma geométrica do tope) e noturno (cor da luz e rítmo de apresentação da luz).

a) Sinais laterais

O sentido convencional de balizamento é aquele que o navio, vindo de alto mar, segue quando se aproxima de um porto, baía, foz de rio, e outras vias aquáticas.

A bordo de uma embarcação as cores das luzes de navegação dos bordos são verde para boreste (BE) e encarnada para bombordo (BB). No sistema IALA “B”, quem vai para o mar deixa os sinais encarnados por BB e os verdes por BE. Esta simples regra de coincidência de cores dos sinais de balizamento e das luzes da embarcação permite que o navegante manobre sua embarcação cumprindo as normas de balizamento.
De forma inversa, aquele que vem do mar deixa os sinais encarnados por BE e os verdes por BB.

Bombordo: Para serem deixadas por bombordo por que entra nos portos. Quando luminosa, a bóia exibe luz verde com qualquer ritmo, exceto grupo de lampejos compostos (2+1) por período.

  • cor: verde
  • formato: cilíndrico, pilar ou charuto
  • tope (se houver): cilindro verde
  • luz (quando houver):
    • cor: verde
    • ritmo: qualquer, exceto Lp (2+1)

Boreste: Para serem deixadas por boreste por que entra nos portos. Quando luminosa, a bóia exibe luz encarnada com qualquer ritmo, exceto grupo de lampejos compostos (2+1) por período.

  • cor: encarnada
  • formato: cônico, pilar ou charuto
  • tope (se houver): cone encarnado com o vértice para cima
    • luz (quando houver): • cor: encarnada
    • ritmo: qualquer, exceto Lp (2+1)

Canal preferencial a boreste: Quando um canal se bifurcar e o canal preferencial for a boreste, o sinal lateral de bombordo, modificado pode ser usado. Quando luminosa, a bóia exibe luz verde com um grupo de lampejos compostos (2+1) por período.

  • cor: verde com uma faixa larga horizontal encarnada
  • formato: cilíndrico, pilar ou charuto
  • tope (se houver): cilindro verde
  • luz (quando houver):
    • cor: verde
    • ritmo: Lp (2+1)

c) Perigo isolado

O sinal de perigo isolado é aquele construído sobre, ou fundeado junto ou sobre um perigo que tenha águas navegáveis em toda a sua volta. Quando luminosa, a bóia exibe luz branca com dois lampejos por período.

  • cor: preta com uma ou mais faixas largas horizontais encarnadas
  • formato: pilar ou charuto
  • tope: duas esferas pretas, uma sobre a outra
  • luz (quando houver):
    • cor: branca
    • ritmo: Lp (2)

d) Águas seguras

Indicam águas navegáveis em torno do sinal; incluem sinais de linha de centro e sinais de meio de canal. Tal sinal pode também ser usado, como alternativa, para um cardinal ou lateral indicar uma aproximação de terra. Quando luminosa, a bóia exibe luz branca isofásica ou de ocultação ou de lampejo longo a cada 10 segundos ou em código Morse exibindo a letra A.

  • cor: faixas verticais encarnadas e brancas
  • formato: esférico; pilar ou charuto exibem tope esférico
  • tope (se houver): uma esfera encarnada
    • luz (quando houver):
    • cor: branca
    • ritmo: Iso. Oc. LpL. 10s ou Mo (A)

e) Balizamento especial

Sinais que não são primordialmente destinados a orientar a navegação, mas que indicam uma área ou característica especial mencionada em documentos náuticos apropriados. Exemplo: bóias oceanográficas; sinais de separação de tráfego, onde o uso de sinalização convencional de canal possa causar confusão; área de despejos; área de exercícios militares; cabo ou tubulação submarina; área de recreação; prospecções geológicas; dragagens; varreduras; ruínas; áreas de segurança e outros fins especiais.

 

  • cor: amarela
  • formato: opcional, mas sem conflitar com os outros sinais
  • tope (se houver): formato de X amarelo
  • luz (quando houver):
  • cor: amarela • ritmo: Oc (…)
  • Lp (exceto LpL 10s)
  • Lp (4), Lp (5) ou Lp (6)
  • Lp (…+…)
  • ou Morse (exceto A e U)

f) Sinais cardinais

Podem ser usados para indicar águas mais profundas, ou o bordo safo para passar por um perigo, ou para chamar a atenção para a junção, bifurcação ou fim de um canal.

Sinal norte

  • cor: preta sobre amarela
  • formato: pilar ou charuto
  • tope (se houver): dois cones pretos, um acima do outro, ambos com o vértice para cima
  • luz (quando houver):
  • cor: branca
  • ritmo: VQ ou Q

Sinal leste

  • cor: preta com uma única faixa larga horizontal amarela
  • formato: pilar ou charuto
  • tope (se houver): dois cones pretos, um acima do outro, unidos pelas bases
  • luz (quando houver):
  • cor: branca
  • ritmo: VQ (3) a cada 5 s ou Q(3) a cada 10 s

Sinal sul

  • cor: amarela sobre preta
  • formato: pilar ou charuto
  • tope (se houver): dois cones pretos, um acima do outro, ambos com o vértice para baixo
  • luz (quando houver):
  • cor: branca
  • ritmo: VQ (6) + LpL cada 10 s ou Q(6) + LpL a cada 15 s

Sinal oeste

  • cor: amarela com uma única faixa larga horizontal preta
  • formato: pilar ou charuto
  • tope (se houver): dois cones pretos, um acima do outro, unidos pelos vértices
  • luz (quando houver):
  • cor: branca
  • ritmo: VQ (9) a cada 10 s ou Q(9) a cada 15 s

 

As figuras abaixo representam o balizamento IALA B de uma entrada de porto durante o dia e à noite.

Atenção: É expressamente proibida a colocação de bóias e balizas sem prévio consentimento da Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN). As bóias de balizamento não podem ser usadas para nenhuma outra finalidade sob nenhum pretexto.

 

No próximo post, vamos falar sobre: as Regras de navegação em rios e canais…

Até a próxima!

* O conteúdo deste post é de autoria e responsabilidade do autor. O Blog Pesca de Oceano não se responsabiliza pelo seu conteúdo.

Balizamento

No post anterior, falamos sobre o Rumo, Proa e Marcação. Hoje, vamos falar de: Balizamento…

Vamos lá…

Balizamento é o conjunto de regras aplicadas aos sinais fixos e flutuantes, visando a indicar as margens dos canais, as entradas de portos, de rios ou de qualquer via navegável, além de delimitar áreas perigosas ou perigos isolados. Entretanto, não se aplica a faróis, barcas faróis, sinais de alinhamento e bóias-gigantes.

Bóias são dispositivos flutuantes que podem exibir luz (luminosas) ou não (cegas).

Balizas são dispositivos feitos de ferro ou de concreto que contêm um objeto em seu tope (parte mais alta) de forma geométrica variável e não apresentam luz.

balizamento

O balizamento adotado no Brasil é o chamado Sistema B da “International Association of Lighthouse Authorities” (IALA), que compreende sinais laterais, de perigo isolado, de águas seguras, especiais e cardinais.

No próximo post, vamos falar sobre:  as sinais de balizamento…

Até a próxima!

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Rumo, Proa e Marcação

Rumo, Proa e Marcação

No post anterior, falamos sobre os Fundamentos Básicos de Navegação: latitude, longitude, carta náutica. Hoje, vamos falar de o Rumo, proa e marcação…

Vamos lá…

rumbo
Rumo: 
é uma linha traçada na carta náutica, com direção e sentido definidos. Uma embarcação para ir de um ponto a outro, deve seguir um rumo.

Norte Verdadeiro: é relativo à direção do polo norte geográfico da Terra, que está contido no eixo terrestre orientado na direção norte-sul da Terra. Na carta náutica o rumo tem este ponto como referência.

rumo-proa-marcacaoA Terra é um imenso imã e, por causa disso, possui magnetismo ao seu redor e polos magnéticos (norte e sul), que são defasados dos polos geográficos. O Norte Magnético é a direção de referência para onde apontam quaisquer barras imantadas suspensas livremente na superfície da Terra, tais como as bússolas ou agulhas magnéticas.

Proa: é a direção horizontal instantânea que uma embarcação tem em relação a uma direção de referência qualquer. Difere do rumo por este ter caráter pemanente e ser referenciado a um norte.

Marcação: é o ângulo medido entre uma direção de referência e a linha de visada de um objeto.

Marcação verdadeira: é o ângulo entre o Norte Verdadeiro e o objeto que está sendo marcado: farol, ilha, ponta, etc.

Marcação magnética: é o ângulo entre o Norte Magnético e o objeto que está sendo marcado: farol, ilha, ponta, etc. Tanto a proa como a marcação são medidas em graus de 000º a 360º .

Rumo Verdadeiro (Rv):
É o ângulo entre o Norte Verdadeiro e a proa da embarcação. É contado de 000º a 360º no sentido horário.

Rumo Magnético (Rmg):
É o ângulo entre o Norte Magnético e a proa da embarcação. É contado de 000º a 360º no sentido horário.

Declinação Magnética (dmg):
É o ângulo entre os nortes Verdadeiro e Magnético. Ela varia não só em função do local na superfície da Terra onde é medida, como também anualmente com o passar do tempo. É contada para oeste ou para leste do norte verdadeiro. A carta náutica apresenta o valor da declinação magnética local no interior das rosas dos ventos.

rumo-proa-marcacao2

Observando-se uma carta náutica, encontramos a declinação magnética local de 20ºW. Sabendo-se que o Rumo Verdadeiro traçado na carta foi de 200º, qual será o Rumo Magnético?

Solução numérica:

Rv  = 200º

dmg=   20° w(+)

Rmg = Rv + dmg

Rmg= 220

Solução gráfica:

rumo-proa-marcacao3

Sabendo-se que a marcação verdadeira de um farol foi de 150 graus, qual a marcação magnética, sendo a dmg local de 20 graus W ?
A solução é semelhante à usada para os rumos.

Solução numérica:
Mv = 150°
dmg = 20 W(+)
Mmg = Mv + dmg
Mmg= 170°

Solução gráfica:

rumo-proa-marcacao4

No próximo post, vamos falar sobre:  Balizamento

Até a próxima!

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Fundamentos Básicos de Navegação: latitude, longitude, carta náutica

Fundamentos Básicos de Navegação: latitude, longitude, carta náutica

Fundamentos básicos de navegação

Navegar é partir de um ponto conhecido e chegar a outro, com segurança. Para identificar um ponto de partida temos que saber as nossas coordenadas geográficas:

Latitude: É a distância angular medida ao longo do meridiano e contada a partir do Equador, 90º para o Norte e 90º para o Sul. O símbolo de latitude é a letra grega: Φ

Exemplos:
Φ= 25° 20.0′ N
Φ= 28° 35.2′ S

Longitude: É o arco do paralelo ou ângulo no polo medido entre o Meridiano de Greenwich e o meridiano do ponto, 180º para Leste e 180º para Oeste. O símbolo da longitude é a letra grega: λ

Exemplos:
λ= 045° 30.5′ E
λ= 174° 25.3′ W

Carta náutica

É a representação plana de um trecho da superfície da Terra apresentando partes de água e de litoral.
Nas laterais das cartas náuticas estão representadas as latitudes e nas partes de cima e de baixo, as longitudes.

carta-nautica

Em alguns pontos da carta náutica encontramos rosas-dos-ventos, com as orientações Norte, Sul, Leste e Oeste.
Aparecem, em toda a extensão das áreas cobertas por água, vários números que representam as profundidades locais em metros.
Escala é uma informação mostrada logo abaixo do título da carta, que significa a relação entre o representado e o real.
As cartas náuticas são fabricadas em diferentes escalas, atendendo às necessidades da navegação, sendo as de menor escala utilizadas em navegação em mar aberto e em aproximação às barras e as de maior escala, nos portos, baías e canais.

carta-nautica2

No próximo post, vamos falar sobre:  Rumo, proa e marcação…

Até a próxima!

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Amarras

A ligação de ÂNCORA com a embarcação se faz pela AMARRA.

A AMARRA ideal deverá:

  • Ser suficientemente forte para suportar o barco seguramente no fundeio.
  • Ter alguma elasticidade para reduzir o esforço sobre um cunho ou outra peça no convés da embarcação.
  • Ser razoavelmente leve para não afetar o desempenho do barco ou ser de difícil manuseio.
  • Tencionar horizontalmente a haste da âncora para assegurar a ela, o máximo “PODER DE UNHAR”
  • Ser compatível com o sistema de içamento existente (molinete ou cabrestante).
  • Ser de estivagem (armazenamento) fácil.
  • Ser resistente a abrasão para suportar fundos ásperos como o coral.

 

QUARTELADA (DE AMARRA)

A AMARRA é constituída de QUARTÉIS.  Um QUARTEL tem um comprimento de aproximadamente 25 metros de AMARRA. A quartelada, comprimento total da amarra paga, é chamada de FILAME e pode ser definida como a relação entre a PROFUNDIDADE DO LOCAL mais a BORDA LIVRE e o NÚMERO DE QUARTÉIS PAGOS (postos para fora do barco).

“A maioria dos textos sobre o assunto concordam que a RELAÇÃO 8:1 é a melhor para o ‘PODER DE UNHAR” projetado e sempre será melhor usarmos amarra de mais do que de menos.

Ao determinarmos o COMPRIMENTO DE AMARRA (ou filame) a ser paga devemos ter atenção para dois pontos importantes:

  • Qual a ALTURA DA PROA até a superfície da água
  • Qual a AMPLITUDE DA MARÉ no local.

Imaginemos que fundeamos em 3 metros de água e pagamos 18 metros de AMARRA, ou seja, uma relação bastante razoável de 6:1 (18/3).

Porém se nossa proa está 1,5 acima da superfície a relação cai imediatamente para 4:1 (18/4,5).  Seis horas depois a maré subiu outro 1,5m. E temos agora uma relação de 3:1 (18/6), ou seja, exatamente a metade da relação teórica inicial e MUITO POUCA AMARRA PARA UM FUNDEAR SEGURO.

QUARTELADA (DE AMARRA)

A AMARRA é constituída de QUARTÉIS.  Um QUARTEL tem um comprimento de aproximadamente 25 metros de AMARRA. A quartelada, comprimento total da amarra paga, é chamada de FILAME e pode ser definida como a relação entre a PROFUNDIDADE DO LOCAL mais a BORDA LIVRE e o NÚMERO DE QUARTÉIS PAGOS (postos para fora do barco).

“A maioria dos textos sobre o assunto concordam que a RELAÇÃO 8:1 é a melhor para o ‘PODER DE UNHAR” projetado e sempre será melhor usarmos amarra de mais do que de menos.

Amarra Mista (5 vezes)

É a AMARRA em que as embarcações adotam, sendo aquela que conduz ao uso de um pequeno comprimento de corrente (2 a 10m.) conectada a ÂNCORA e, a outra extremidade, a um longo comprimento de cabo de nylon ou outra composição amarrado a embarcação.

Amarra de Corrente (3 vezes)  

É a AMARRA totalmente em corrente, ou seja da ÂNCORA até a embarcação, normalmente usada em embarcações de grandes portes.

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